Casos de Rio, Barretos, Santo André e Santa Catarina, o que as concessões já tratam como padrão (mais de 88% dos contratos, segundo a ABCIP) e o que cada município precisa medir para provar a economia.
Em cidades pequenas, a conta da iluminação pública perde em tamanho apenas para a folha de pagamento, segundo reportagem de O Globo de 2026-06-08. É uma despesa que chega todo mês, cresce com o parque e quase nunca é questionada, porque a luz acende e ninguém reclama. O problema começa quando alguém pergunta o que dá para economizar. As respostas que circulam vão de 40% a 76%, e o gestor que precisa decidir fica sem saber qual número é medição, qual é meta e qual é estimativa.
Este artigo separa as três coisas e mostra o que a telegestão de iluminação pública entrega: os números que existem, de quem são e o que eles provam. E responde à pergunta que decide o investimento: se a economia depende de uma conta que o município precisa conferir, como se mede e se prova o resultado depois de investir?
A tese é direta. O LED reduz o consumo. A telegestão, que é o sistema que liga, desliga, regula e monitora cada ponto de luz à distância, é a camada que transforma essa redução em resultado que o gestor consegue provar. Sem registro de consumo por ponto, a economia continua sendo promessa. Com ele, vira número que vai ao controle interno, desde que conferido com a fatura da distribuidora. Nas concessões, o tema já aparece nos contratos: mais de 88% preveem telegestão ou telemedição, segundo a ABCIP.
Nota de método. Os resultados citados neste artigo são relatos de prefeituras, de autoridades municipais e de empresas que atuam nos projetos, sem auditoria independente. Os percentuais variam de 40% a 76% e as fontes consultadas não separam quanto da economia vem do LED e quanto vem da telegestão. Isso não enfraquece a telegestão: é a razão de medi-la, porque só o dado por ponto, no seu município, responde essa pergunta.
O que a telegestão de iluminação pública entrega
Telegestão é um conjunto de equipamentos e um software instalados nos pontos de luz. Pelas fontes consultadas, ela permite:
- ligar e desligar pontos ou grupos de pontos, segundo O Globo;
- dimerizar, isto é, reduzir a intensidade da luz em horários e vias de baixo movimento;
- medir em tempo real consumo, tensão, corrente e vida útil, segundo a Prefeitura do Rio (2026-07-08);
- apontar falhas no instante em que ocorrem. Em Barretos, segundo a prefeitura via O Globo, a falha fica visível instantaneamente para o consórcio operador;
- apoiar a manutenção preventiva, trocando o que vai falhar antes de a rua escurecer;
- dar transparência à medição e à cobrança da Cosip, segundo O Globo.
Telemedição é a medição do consumo à distância, e a ABCIP a trata junto com a telegestão.
Programação de acendimento, revezamento de postes, sensores de presença e ampliação da vida útil das lâmpadas são outras capacidades desse tipo de sistema. Aparecem aqui como funcionalidades, e não como ganhos, porque nenhuma das fontes consultadas traz dado quantificado para elas.
O que as fontes sustentam é consistente em todos os casos: a telegestão dá visibilidade e controle sobre o parque, com consumo, falha e vida útil por ponto. É esse registro que permite medir o resultado do conjunto, localizar falha na hora e levar a prova ao controle interno. Por isso este artigo não atribui um percentual isolado à telegestão: o que ela entrega é o dado que permite ao município chegar a esse número com a própria medição.
Por que o LED sozinho não fecha a conta
Segundo dados da Abcip citados em O Globo (2026-06-08), apenas 19,6% das luminárias do país são LED, ou seja, cerca de 80% do parque nacional ainda não é. É nesse universo que o estudo do IPGC e da GHM Solutions, apresentado no CPIIC em Santo André em 2026-06-09 e 2026-06-10, estima uma economia média de 51% com a conversão para LED, o que representaria cerca de R$ 5 bilhões brutos, considerando tarifa de R$ 700 a R$ 800 por MWh. O texto-fonte não informa o horizonte de tempo desse valor. É uma estimativa de modelo, não uma medição de fatura paga.
O peso da conta aparece em dois números da mesma reportagem. Segundo a EPE, a iluminação pública responde por cerca de 5% da energia gerada no país. E, nas cidades pequenas, segundo O Globo, é a segunda maior despesa municipal, atrás da folha. É um serviço visível ao cidadão: uma rua escura por falha de luminária vira reclamação e exige reposição rápida.
Por que a economia só vira orçamento se for medida
Uma economia estimada não paga nada. Para virar espaço no orçamento, o consumo precisa cair de fato, a fatura precisa refletir a queda e alguém precisa conseguir demonstrar a diferença. Sem uma linha de base de consumo (quanto o parque gastava antes) e sem um sistema que registre o consumo depois, a prefeitura fica com a promessa e sem a prova.
É aqui que a conta do LED sozinho para. Ele reduz a potência de cada ponto, mas não diz quantos pontos estão acesos às três da manhã, quantos estão apagados por defeito, nem se a fatura da distribuidora corresponde ao que o parque realmente consumiu. Quem responde a essas perguntas é o registro por ponto, e a telegestão é um dos meios de gerá-lo.
O que as cidades relataram: Rio, Barretos, Santo André e um quadro à parte
Os casos abaixo vêm de comunicados de prefeituras e de falas de autoridades municipais. São os dados mais próximos de resultado real que o levantamento encontrou.
Rio de Janeiro: o maior parque, por PPP
Segundo a Prefeitura do Rio e a RioLuz, em comunicado de 2026-07-08, o programa Luz Maravilha chegou a cerca de 525 mil pontos em LED. Os números informados:
| Indicador | 2020 | 2026 |
|---|---|---|
| Consumo médio mensal | mais de 37 milhões de kWh | 19 milhões de kWh |
| Custo médio mensal | R$ 31 milhões | R$ 13 milhões |
A prefeitura afirma economia atual de cerca de R$ 18 milhões por mês, mesmo com o aumento do parque. É o dado de maior escala do levantamento. Fontes: Diário do Rio e Prefeitura do Rio.
Barretos (SP): porte médio, PPP de cidade inteligente
Segundo a prefeitura, em dados publicados por O Globo (2026-06-08):
- redução de 75% do consumo, contra uma meta inicial de 60%. A meta era projeção. O resultado informado a superou;
- economia mensal de R$ 713 mil a R$ 817 mil, o que chega a quase R$ 10 milhões por ano;
- 2.419 luminárias retiradas sem perda de qualidade;
- índice de falha do LED abaixo de 0,5%;
- 28 pontos de Wi-Fi e 84 câmeras incluídos na PPP, que a reportagem descreve como uma das primeiras PPPs de cidades inteligentes do país.
Santo André (SP): gestão própria, sem PPP
O caso mostra que a modernização para LED não é exclusiva de concessão. As fontes não informam se há telegestão no parque. Segundo o prefeito, em O Globo, a cidade pagava R$ 1,6 milhão por mês em 2017, com 48 mil pontos. Hoje tem 52 mil pontos 100% LED e a conta, segundo o prefeito, não passa de R$ 1,2 milhão por mês. As usinas fotovoltaicas do município somam, segundo ele, R$ 4 milhões por ano de economia.
O prefeito também estima mais de R$ 240 milhões economizados em energia na próxima década. Isso é projeção da autoridade, não resultado, e deve ser lida assim.
Quadro à parte: Santa Catarina
Leia com cautela. Os números abaixo vêm de texto publicado em 2026-09-17 no portal Sala da Notícia, que informa ser conteúdo de responsabilidade da autora. O material tem características de divulgação da Quantum Engenharia, empresa privada que atua nos projetos. Use como indício, não como prova.
Segundo a Quantum Engenharia, via Sala da Notícia (texto original):
- Palhoça: 63% de economia, com manutenção preditiva por telegestão;
- Penha: 76% de redução de consumo em 7.385 pontos LED, e a economia teria viabilizado 339 câmeras e 13 pontos de Wi-Fi;
- Garopaba: 40% de redução de carga, além de 13 usinas solares com 632 mil kWh por ano. Em Penha e Garopaba, o texto-fonte não detalha a telegestão.
O que os casos permitem dizer
Rio e Barretos relatam queda relevante de consumo e de custo depois da modernização, e Santo André relata queda de custo com mais pontos. Os casos de Santa Catarina, com a ressalva acima, apontam na mesma direção. O conjunto indica potencial de redução expressiva, em cidades de portes e modelos diferentes. Quanto isso valerá no município do leitor, só a linha de base própria responde, e é a telegestão que a mantém atualizada, ponto a ponto.
O sinal do mercado: telegestão virou item de contrato
Segundo Pedro Iacovino, presidente da ABCIP, em entrevista ao Mobile Time publicada em 2026-07-10, mais de 88% dos contratos de concessão de iluminação pública já preveem telegestão ou telemedição. A página da entrevista traz 90% no título e 88% no corpo do texto. Adotamos 88%, o número do corpo.
Outros dados da mesma fala (Mobile Time):
- ao menos 158 concessões no país, que somam mais de R$ 39 bilhões e atendem cerca de 60 milhões de pessoas, a maioria no Sul e no Sudeste;
- 36 desses contratos vão além da iluminação, com conectividade, videomonitoramento ou geração distribuída;
- estimativa de 25 novos contratos em 2026;
- mais de 800 cidades monitoradas pela associação com PPP em vista;
- economia que, segundo ele, “costuma” ficar entre 50% e 70%, sem metodologia apresentada.
O dado mais útil aqui não é a faixa de 50% a 70%, que não tem método apresentado, e sim o fato de que telegestão ou telemedição aparece em mais de 88% dos contratos de concessão. Nas concessões, o tema já é requisito contratual. Para o gestor que avalia a gestão própria, o ponto passa a ser como e em que ordem implementar.
Economia como espaço orçamentário: a Nova Cosip
Segundo O Globo (2026-06-08), a Reforma Tributária incluiu equipamentos urbanos inteligentes no escopo da chamada Nova Cosip, a contribuição para o custeio da iluminação pública. Ainda segundo a reportagem, uma nota técnica do Ministério das Cidades de 2025 e uma lei complementar de 2026 dão segurança jurídica a esse uso. Não lemos o texto legal: antes de estruturar um projeto sobre essa base, o jurídico do município precisa conferir a fonte primária e o que ela permite no seu caso.
Se a leitura se confirmar, a lógica é clara: a economia obtida na conta de energia pode ser aplicada em tecnologia urbana. Em Penha, segundo a Quantum Engenharia (com a ressalva do quadro acima), a economia teria viabilizado 339 câmeras e 13 pontos de Wi-Fi. Em Barretos, câmeras e Wi-Fi fazem parte da própria PPP. A condição é a que já apareceu: o consumo precisa cair primeiro, e a queda precisa ser medida.
O que cada município precisa medir
O levantamento deixou lacunas. São as perguntas que um gestor precisa responder para decidir, e vale dizê-las em vez de preenchê-las com número de apresentação comercial. Boa parte delas só se fecha com dado medido por ponto, que é o que a telegestão produz.
- Quanto custa implantar telegestão por ponto, e em quanto tempo o investimento se paga. Nenhuma fonte consultada traz custo por ponto ou prazo de retorno. Por isso, este artigo não afirma payback nem sugere prazo para o seu município.
- Quanto da economia vem só da telegestão. Nenhuma fonte separa o efeito do LED do efeito da dimerização e do monitoramento. Com consumo registrado por ponto, antes e depois, o município pode fazer essa separação com os próprios dados.
- Quais normas e protocolos técnicos o sistema deve seguir. Esse ponto não foi pesquisado a fundo. Nenhuma norma é citada aqui como requisito. Peça ao fornecedor ou ao consultor a lista aplicável e confira a versão vigente.
- Que fontes de financiamento existem e em que condições. A reportagem de O Globo menciona financiamento do BNDES em PPPs e linhas e fundo perdido em programas federais de eficiência energética, sem nomear programa. Condições de linha não foram levantadas e devem ser verificadas com a instituição.
- Se a fatura da distribuidora reflete a economia obtida. A forma como a distribuidora apura o consumo de pontos com dimerização é um ponto a validar com ela, antes de contar com o ganho no orçamento.
Dez critérios para uma telegestão que prova o resultado
Em vez de uma promessa, segue um roteiro de decisão. Uma solução de telegestão que se sustenta consegue responder cada critério abaixo por escrito, antes da contratação.
- Base de LED, total ou parcial. Os casos relatados partem da conversão. A telegestão entra sobre uma base eficiente.
- Linha de base de consumo. Registrar quanto o parque gastava e quanto custava antes é o primeiro passo. Sem isso, não há como provar a economia depois.
- Modelo definido: PPP ou gestão própria. Rio e Barretos usam concessão. Santo André mostra que a gestão própria é possível. Cada modelo muda quem investe, quem opera e quem fica com a economia.
- Apuração na fatura da distribuidora. Confirmar com a distribuidora como o consumo será apurado, antes de assumir o ganho.
- Dados e interfaces abertos ao município. Consumo, falhas, histórico e relatórios exportáveis, de modo que o controle interno consiga verificar sem depender do fornecedor.
- Titularidade dos dados. O contrato diz de quem são as informações e o que acontece com elas ao fim da vigência.
- Garantias e indicadores em contrato. Prazos de reposição e a forma de comprovação, por escrito e mensuráveis.
- Custo por ponto e retorno com memória de cálculo. Hipóteses de tarifa, perfil de dimerização e vida útil abertas, de modo que qualquer percentual de economia possa ser conferido.
- Normas aplicáveis atendidas. Lista e comprovação, validadas com o corpo técnico do município.
- Fontes de financiamento mapeadas. Verificar, caso a caso, BNDES, programas federais de eficiência e as condições vigentes.
Do poste à cidade inteligente
O mesmo ponto de luz que recebe a telegestão pode abrigar outros equipamentos. Segundo a ABCIP, 36 dos 158 contratos já vão além da iluminação, com conectividade, videomonitoramento ou geração distribuída. Barretos incluiu 28 pontos de Wi-Fi e 84 câmeras na PPP. Penha, no relato da Quantum, aplicou a economia em câmeras e Wi-Fi.
A lógica é de sequência. Primeiro, reduzir o consumo e provar a redução. Depois, usar a infraestrutura de comunicação já instalada e o orçamento liberado para segurança, conectividade e outros serviços urbanos. Sem consumo medido e orçamento liberado, o investimento em segurança e conectividade compete com a conta de energia que continua alta.
Conclusão: decidir com evidência
O que os números permitem afirmar:
- o parque brasileiro é majoritariamente sem LED, e a conta pesa no orçamento das cidades pequenas;
- Rio e Barretos relatam quedas expressivas de consumo e custo após a modernização, em projetos que citam telegestão;
- segundo a ABCIP, mais de 88% dos contratos de concessão preveem telegestão ou telemedição;
- a economia pode abrir espaço para tecnologia urbana, desde que seja medida e que a base jurídica seja conferida;
- a telegestão é a ferramenta que produz essa medição, por ponto, e aparece em mais de 88% dos contratos de concessão, segundo a ABCIP.
O que eles não permitem afirmar: quanto a telegestão isolada economiza, quanto custa por ponto, em quanto tempo se paga e quanto isso valerá no seu município. Esses são os números que cada prefeitura precisa produzir com dados próprios, antes de contratar e depois de implantar.
Para o gestor, a decisão mais segura não é adotar o maior percentual que viu em uma reportagem. É escolher uma solução que entregue a linha de base, o método de medição, as premissas do cálculo e a forma de comprovar o resultado ao controle interno. A telegestão é o que torna isso possível na prática, e é por isso que ela merece ser avaliada com seriedade.
Como a ERIONE pode ajudar
A ERIONE atua em Smart Solutions e IoT, com portfólio de cidades inteligentes que inclui câmeras, sensores e Wi-Fi, e está desenvolvendo e testando soluções de telegestão. O ponto de partida que propomos a um município não é um produto, e sim um diagnóstico de prontidão: qual é o estado do parque de LED, se existe linha de base de consumo, que requisitos de telegestão fazem sentido para o seu caso e qual modelo (PPP ou gestão própria) se encaixa na realidade fiscal e jurídica da cidade. O diagnóstico cobre os critérios acima que mais travam projetos: a linha de base de consumo, os dados e relatórios que o sistema entrega ao controle interno e a titularidade das informações.
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